quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Coisas da rádio II



Quem dizia que o Rádio Clube Português seria uma nova Central FM estava enganado. Não é. Tem ainda muito que crescer, é um facto, falta-lhe ganhar coerência durante o dia e uma maturidade de antena que ainda não tem, mas só não vê quem não quer que as suas manhãs (7-12, "Minuto a Minuto, com João Adelino Faria) são hoje um espaço de referência na informação matinal das manhãs. Com uma agenda própria, com uma história do dia todos os dias, sem andar a reboque do que dizem os jornais e, depois, com um leque de colunistas onde se incluem nomes de primeira grandeza como Pacheco Pereira, Maria João Avilez, Inês Serra Lopes, Mário Crespo, Maria Filomena Mónica, Daniel Sampaio, Dias Loureiro, Ana Gomes. A qualidade dos seus convidados diários é bem a prova de que a estação da Prisa já obrigou as agências de comunicação a inclui-la nas suas agendas.
É verdade que o Bareme Rádio da Marktest ainda não reflecte esse trabalho (só quem não percebe muito de rádio poderia achar que ao fim de duas vagas, com os efeitos de uma limpeza de antena ainda no ar, os estudos de opinião seriam já muito positivos) e que isso ainda vai demorar algum tempo a acontecer (entre seis meses a um ano), mas que o novo RCP já foi capaz de marcar a agenda, isso é indesmentível.

PS - Torno público o obrigatório "registo de interesses": sou amigo de João Adelino Faria e colaborador do Rádio Clube, com um espaço de opinião sobre Televisão, à segunda-feira, a partir das 11.30. Tais factos, porém, não me toldam a objectividade nem o sentido de justiça.

11 comentários:

Cobinhas disse...

Confesso que oiço rádio cada vez menos por várias razões: O puro desinteresse que estas me provocam; o puro desinteresse nos entremeios da informação (insipiente); o tédio generalizado e a falta de vivacidade dos seus intervinientes; e por último, o evidente interesseirismo nos meios da comunicação social. Pode-se ver pelas pessoas que circularam(circulam?) pelo programa do JAF. Os mesmo em todo o lado.

p.s. Não deixo de gostar do Blogger, sempre na mouche ;)

Anónimo disse...

Gosto, sobretudo, da "informação matinal das manhãs"! O afã do tom bajulador tem destas coisas. Quanto à agenda própria e à história do dia todos os dias permita que lhe diga que já teve melhores dias. Não basta repetir o que dizem as newsletters ou papaguear o discurso oficial. É preciso ouvir a emissão dia a dia e fazer a contabilidade das ditas histórias próprias. Sobre os colunistas remeto para o que diz o comentário anterior e quanto à inclusão do RCP nas agendas das agências de comunicação, como refere, não parece que esteja a reflectir-se no investimento publicitário, que continua a ser diminuto. Finalmente, correndo o risco de ser classificado como não percebendo muito de rádio, sempre lhe digo que também não esperava que o Bareme da Marktest mostrasse, desde já, uma tendência muito positiva. O que me surpreende é a tendência ser tão negativa. A verdadeira limpeza de antena, é bom recordá-lo, foi feita de 1 a 28 de Janeiro de 2007 pelo que já vai sendo tempo de deixar de assacar as culpas ao governo anterior, perdão, à mudança de formato da estação. Ao alegar que o novo formato ainda vai demorar algum tempo a impôr-se está a reproduzir o discurso oficial. E mais não digo porque, quanto ao resto, basta remeter para o que diz o seu PS.

Anónimo disse...

Vamos ver durante quanto tempo a Prisa continua a enterrar dinheiro no RCP. É que todas as estimativas têm saido goradas...

Uma pergunta: Quanto custa o RCP?...porque quanto factura já sei que é pouco...

Registo a grande vitória do director do RCP: É a rádio que tem melhor marketing... quando dá um espirro aparece em todo o lado.

Nuno Azinheira disse...

Não sei se me conhece ou não (a opinião anónima "tem destas coisas"...), mas se me conhecesse saberia que não sou muito de "papaguear o discurso oficial". Nem o meu PS me inibe do que quer que se seja, muito menos de expressar a minha opinião num blogue criado por mim. As histórias do dia do "Minuto a Minuto" do RCP podem ser (são) umas melhores do que as outras, é verdade, mas isso acontece também todos os dias em qualquer redacção do país. É, porém, um esforço interessante de uma equipa que, tirando meia dúzia de jornalistas mais experientes, é constituída por jovens de 25 anos, alguns deles ex-estagiários há bem poucos meses em várias redacções do país. Quanto à questão das agendas das agências de comunicação, receio bem que o leitor anónimo se tenha confundido: eu não falei em agências de planeamento de meios (esses sim reflectem o interesse do mercado no investimento publicitário), mas em agências de comunicação, que hoje fazem assessoria de imprensa a partidos, políticos e grandes empresas. Ou seja, quem quer dar entrevistas já percebeu que às tradicionais opções (TSF, Antena 1, Renascença) junta-se agora o RCP. É positivo, é negativo? Não sei, é apenas uma constatação de facto.
Finalmente, desculpe que lhe diga, mas deve perceber pouco de rádio. O RCP era uma "rádio de companhia", com um estilo musical marcadamente anos 80, muita música portuguesa e brasileira. Os 2,8 por cento de audiência acumulada de véspera que chegou a ter representam gente que optava por uma rádio friendly, com muita música e pouca palavra. O RCP de agora é uma "rádio de palavra". Ora, os ouvintes de um e outro tipo de rádio não são conciliáveis. A maioria das pessoas que ouvia o antigo RCP mudou de poiso, procurou novas e tranquilas paragens. O 1% que tem agora, segundo a última vaga do Bareme, reflecte já essa limpeza de antena. De 29 de Janeiro (data da estreia) até Setembro, último mês contemplado no Bareme, passaram oito meses, sendo que três deles registam uma habitual diminuição do consumo de rádio em Portugal. Há, portanto, cinco meses de trabalho no ar. É pouco. Por isso disse que é preciso mais tempo para avaliar o projecto e medir o impacto que ele teve no mercado.
Volte sempre!

pedro carvalho disse...

estou de acordo com o Nuno. O RCP, mesmo descontando a falta de qualidade e de senso do Crespo e um ou outro colaborador mais fraco, tem hoje muito mais qualidade. E mais tarde ou mais cedo, o público virá. E, já agora, sempre direi que aprecio a qualidade e isenção das suas intervenções sobre televisão.

Anónimo disse...

Também acho que o RCP (ou será só RC)pode melhorar bastante, mas não há dúvida que o seu programa da manhã está muito mais mexido, mais activo. Podem ser os papagaios do costume, mas são estes que temos em Portugal. Mas até aí há um esforço meritório para levar novas pessoas para a antena.
Parabéns pelo blogue

Anónimo disse...

será que nuno azinheira e pedro carvalho serão a mesma pessoa? è impressionante como ambos têm sempre a mesma opinião...

Anónimo disse...

SOBRE AS RÁDIOS MEDIA CAPITAL NO MEIOS E PUB:O segmento de rádio continua a apresentar resultados operacionais negativos, agravados em 4% para os 1,8 milhões de euros, apesar do crescimento em termos de proveitos operacionais e de publicidade em relação aos primeiros nove meses de 2006.

Joaquim disse...

Vivam. No texto, o Nuno recorda a "Central FM", rádio por onde passou, por exemplo, "A Idade da Inocência", o programa de Luís Ferreira de Almeida e Margarida Pinto Correia (actualmente passa todos aos serões na TSF). Mas era uma rádio local ou regional? De onde emitia, e para que público(s)? Quando foi criada? E quando se extinguiu? É que, neste momento, Central FM só há uma. É de Leiria, trabalhei lá e sei que não se refere a essa rádio no «postal». Cumprimentos.

Anónimo disse...

Eu ao RCP só lá vou à terça, por causa dos frescos, à quarta, por causa dos frescos, à quinta, por causa... à sexta... etc. Nunca à segunda. Por que será?

Anónimo disse...

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