quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Coisas da rádio I



De há uns tempos para cá, a manhã das rádios descobriu o humor. O filão começou, e bem, com essa tripla inesquecível da (então) Comercial: Markl, Malato e Lamy, em o Homem que Mordeu o Cão. Depois disso, os programadores acharam que o humor ia bem com torradinhas e galão ao pequeno almoço. E toca de carregar na dose, abusando ad nauseam da receita. E temos pois exemplos indigentes de humor mas também verdadeiras pérolas. Neste particular, a TSF acertou na mouche. Os seus Cromos foram, há dois anos, uma pedrada no charco, sobretudo Ana Bola, Joaquim Monchique e, às vezes, Maria Rueff. Agora, em nova versão, Bola e Rueff juntam-se para fazer Denise e Maria Delfina, duas "manicuras" que recuperam o conceito da comédia "Celadon". Mas o grande achado da rádio de José Fragoso é mesmo Bruno Nogueira e o seu "Tubo de Ensaio". São quatro minutos de puro humor. Ainda ontem, Nogueira entrevistava "José Mourinho" ("um português desempregado que tentou a sua sorte lá fora, num país longínquo como a Inglaterra"), quando foi subitamente interrompido por um directo sobre Santana Lopes. Obviamente, não abandonei a emissão a meio...

Foto: DN

sábado, 13 de outubro de 2007

Alguém me explica?


















Que mistérios insondáveis poderão explicar por que razão a Polícia Municipal de Lisboa e a Emel, sempre tão solícitas a multar e a rebocar selvaticamente quem estaciona o carro de forma selvagem na capital, fecham os olhos ao escândalo que se repete todos os sábados à noite na Avenida da Liberdade? As imagens que aqui apresento foram captadas há poucos minutos do meu telemóvel. E o que apresento aqui não aconteceu hoje por acaso ou por qualquer ocasião especial. O cenário que ali vimos repete-se todos os sábados, há mais de três anos, desde que o Hard Rock Café abriu as portas no Rossio e La Feria começou a encher o seu Politeama.
A partir do meio da avenida da Liberdade, os condutores estacionam, sistematicamente ao sábado à noite, o carro em cima dos passeios da faixa central da avenida. Sim, aqueles largos passeios que o ex-presidente Santana, que o ex-presidente Carmona e que agora o presidente Costa querem que seja dos lisboetas.
Hoje, em pleno Rossio, vários polícias municipais estavam pelas ruas em vigilância, bloqueando carros em frente ao Palácio Foz (não fosse algum alto quadro do Estado querer trabalhar à meia noite...), mas fechando os olhos, de uma forma tão absurda como aviltante, às dezenas de carros estacionados com as quatro rodas nos passeios da Avenida.
Mais espantoso ainda: à mesma hora, na Rua Jardim do Regedor, ali mesmo no Rossio, um incauto condutor tinha parado o carro encostado a uma parede para rapidamente ir buscar uma pizza a um restaurante. Pois lá estava a carrinha da Polícia Municipal, toda computorizada, com os seus bempostos agentes tratando de ver os documentos da viatura, mais a carta de condução, mais os euros em troca dos quais a viatura seria desbloqueada.
Que raio de moralidade é esta? Que justiça é esta? Que polícia é esta? Que interesses são estes? Porque razão ninguém quer estragar o negócio ao Hard Rock Café e ao La Feria e me estragam a vida a mim e a qualquer outro cidadão se, durante o dia da semana, enquanto trabalho, me esquecer de ir lá pôr o talãozinho da ordem do parquímetro?

Uma questão de memória (2)

Parece que a coisa está mesmo feita: Santana Lopes vai ser o líder da bancada parlamentar do PSD de Luís Filipe Menezes. Como previa Ricardo Costa, director da SIC Notícias, na noite da eleição do novo líder, "vão ser momentos muito divertidos".
E serão. O que esperar de um partido liderado por um populista que fará da Câmara de Gaia o seu palco político, porque não é deputado? O que esperar desse mesmo partido que terá como líder de bancada um populista guerreiro, que queria ser primeiro-ministro, foi-o durante quatro meses, foi corrido e perdeu as eleições seguintes?
Sócrates vai ter obviamente tarefa mais complicada e pode esperar oposição bem mais aguerrida. Mas tem uma vantagem: é que à semelhança do que diz o cartaz do próprio (Janeiro de 2005), os portugueses conhecem-no muito bem...

Uma questão de memória

Após a queda de Santana Lopes do Governo, em Novembro de 2004, o PSD (perdão, o PPD/PSD) lançou por Portugal inteiro um cartaz provocatório. Já então as sondagens diziam que os portugueses se preparavam para tirar a direita do poder e voltar a dar uma nova oportunidade aos socialistas, esquecido que estava o pântano de Guterres.
O cartaz era este. Lembra-se?





Ora, justamente, no meio de um congresso em que só se devia falar de Luís Filipe Menezes, é o nome de Santana Lopes que mais se ouve. Não é surpreendente, mas é revelador. Talvez fosse altura dos socialistas retribuírem a gracinha: "Será que você quer que eles (santanistas) voltem?"

RTP versus Rodrigues dos Santos




As coisas nunca são a preto e branco. Procurar a razão nos extremos pode ser muito corajoso, mas nem sempre é justo. A propósito da crise na RTP, provocada pelo "caso José Rodrigues dos Santos", tenho para mim que nenhuma das parte tem a razão absoluta do seu lado. Defendo obviamente a liberdade de opinião do pivô da RTP, mas percebo bem o argumento da administração sobre o dever de lealdade de um alto quadro para com a sua empresa. Vamos, pois, por partes.

1. No essencial, na entrevista à Pública, José Rodrigues dos Santos não conta, no que aos factos diz respeito, nada de novo em relação ao que disse em 2004, que levou ao seu pedido de demissão.O que difere, isso sim, é o tom em que é dito. E continuam estranhas as razões que levaram o pivô a desenterrar este caso, uma vez que, ao que parece, o Público não lhe fez quaisquer questões sobre a matéria (ver, a propósito, a nota da direcção editorial do jornal, sobretudo o ponto 2, aqui)

2. A forma como o Pública titula a entrevista, e a grande chamada de primeira página que faz à entrevista na Pública, é profissionalmente desonesta. Sei, por experiência própria, como por vezes é difícil titular e sintetizar ideias num título, mas escrever "A administração da RTP passa recados do poder político" não é, seguramente, igual nem a síntese do que foi originalmente dito: "Falo na interferência da administração na área editorial. As minhas conversas com os governos, PS ou PSD, foram quase inexistentes. Na minha experiência, os governos contactam as administrações e depois estas passam, ou não, os recados."

3. No dia seguinte, José Rodrigues dos Santos, em entrevista na última página do DN, reitera o que disse à Pública, não revela qualquer desacordo nem insatisfação como o trabalho saiu publicado. Seria normal, se houvesse algum desacordo, que o jornalista aproveitasse para se demarcar do que saiu escrito. Isso não aconteceu.

4. O comunicado da administração da RTP, emitido terça-feira, é de uma violência inaudita, com passagens de extremo mau gosto: em quatro momentos trata Rodrigues dos Santos -que foi duas vezes director de Informação da empresa e o rosto mais popular da Informação da RTP, como "empregado", em vez de utilizar a palavra "quadro"; a referência ao dinheiro que não deixou de ganhar; a alusão ao incumprimento de horários, etc. Além disso, à falta de provas levanta ainda insinuações sobre alegadas motivações secretas do pivô para ressuscitar o caso três anos depois dos factos.

(ver aqui comunicado e entrevista)


Sejamos claros: José Rodrigues dos Santos até pode ter motivações secretas que o motivaram a dar esta entrevista, mas um comunicado de um conselho de administração deve resumir-se a factos. Na ausência de certezas, uma administração deve ficar calada, sob pena de entrar no jogo das mensagens dissimuladas que parece querer atacar.
Por outro lado, porém, se Rodrigues dos Santos não se deu ao trabalho de desmentir publicamente o Público (hoje em dia bastava um telefonema para a Lusa, a demarcar-se da entrevista e a esclarecer a sua posição, que facilmente faria chegar uma notícia minutos depois às redacções de todos os órgãos de comunicação...), é porque aparentemente está de acordo com o que ali está expresso.
Ora, apesar de Rodrigues dos Santos ter direito à sua opinião, tem de ter consciência que não é um qualquer quadro da RTP. Foi duas vezes director de Informação, é um dos apresentadores do principal espaço de informação do canal, aliás, o mais visto pelos portugueses. Rodrigues dos Santos bem pode dizer que não tem qualquer intervenção editorial no que lê. As classes A/B sabem bem o que isso quer dizer. Mas a maioria dos portugueses que o vê às 20.00, não. Para essa maioria, Rodrigues dos Santos é a cara da RTP naquele momento. É ele que está a dizer aquilo, independentemente de poder ter sido escrito ou sussurado por outro. Ou seja, há, pois um dever de reserva a que Rodrigues dos Santos, em minha opinião, deve obedecer. Ou então, sendo coerente com o que fez em 2004, recusa-se a apresentar o Telejornal, por não querer ser porta-voz de recados do poder. Ao não o fazer, Rodrigues dos Santos prefere navegar em dois mares: por um lado, é a cara da RTP, beneficiando do protagonismo que isso lhe confere, até para as suas actividades extra-profissionais, por outro lado coloca em causa o bom nome da empresa.

Foto: DN

Voltei!

Uma semana e meia fora do blog e tanta coisa nova aconteceu... Vamos ter que colocar a escrita em dia. Até já!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

As razões do silêncio

Não, o blogueiro ainda não desistiu. Está vivo e recomenda-se. E regressa ao País na próxima segunda-feira. Voltarei então às lides.
Hasta!